Receber um diagnóstico de câncer é como ser lançada em uma tempestade inesperada, onde cada onda traz um novo desafio e cada vento forte ameaça derrubar as forças que ainda restam. No meu caso, depois do impacto inicial, veio a batalha mais dura: a quimioterapia.

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Chamam-na de “veneno que salva vidas” porque, ironicamente, precisa nos matar um pouco para nos ajudar a viver. Desde o primeiro ciclo, percebi que não era apenas uma questão física, mas também emocional e espiritual. O corpo se fragiliza, os cabelos caem, a pele muda, o paladar se transforma, a energia desaparece. Há dias em que o espelho reflete alguém que não reconhecemos, e isso, por si só, já é uma luta silenciosa.

Os efeitos colaterais são muitos e, às vezes, cruéis. Enjoo persistente, fadiga incapacitante, dores pelo corpo, noites de insônia e uma fraqueza que faz até os menores movimentos parecerem esforços hercúleos. A cada sessão, a sensação era de estar sendo levada ao limite, de experimentar o próprio corpo desistindo aos poucos. Mas, mesmo nesse deserto de dor, algo permanecia inabalável: a minha fé.

A força que me sustentou não veio de mim mesma, pois havia momentos em que simplesmente não existiam forças em mim. Ela veio unicamente de Deus. No meio da tormenta, quando tudo parecia insuportável, foi Ele quem renovou meu espírito e me deu coragem para continuar. Em cada lágrima que caía, sentia Sua presença me lembrando que eu não estava sozinha.

Mas Deus também se manifestou de forma tangível através do apoio incondicional do meu marido e da minha família. Meu esposo foi meu porto seguro, segurando minha mão quando a dor parecia insuportável, enxugando minhas lágrimas quando eu não conseguia conter o medo. Ele me olhava nos olhos, com amor e determinação, e me lembrava que eu era forte, mesmo quando me sentia fraca. Cada gesto de cuidado, cada palavra de encorajamento, cada momento ao meu lado fez toda a diferença na minha recuperação.

Minha família, mesmo à distância em alguns momentos, nunca deixou de estar presente. As ligações, as mensagens, as orações… tudo isso me envolveu como um abraço invisível que me lembrava do quanto sou amada. Esse amor foi um dos combustíveis para seguir adiante, para acreditar que valia a pena enfrentar cada etapa desse tratamento.

A quimioterapia me mostrou que, por mais que o corpo seja testado ao extremo, a alma pode sair mais fortalecida. E foi exatamente isso que aconteceu. Entre lágrimas e sorrisos, dor e esperança, fragilidade e fé, fui reconstruída. Essa fase difícil da minha jornada não definiu quem sou, mas certamente transformou minha forma de ver a vida, de valorizar cada instante, cada detalhe, cada pequena vitória.

E, apesar de tudo, sou grata. Grata por ter sobrevivido ao que parecia impossível, por ter encontrado forças onde achava que não havia mais, por ter sentido o amor de Deus e da minha família me sustentando a cada dia. Porque, no final das contas, o que realmente salva não é apenas a quimioterapia – é o amor, a fé e a esperança que nos mantêm vivos além do tratamento.

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