Para quem caiu de paraquedas aqui nesse post, eu fui diagnosticada em fevereiro de 2024, fiz o tratamento durante 6 meses (de Abril a setembro de 2024)
A vida tem uma maneira inesperada de nos colocar diante de desafios que jamais imaginamos enfrentar. Eu sempre cuidei da minha saúde, fazia exames regularmente, alimentava-me bem e não tinha nenhum histórico familiar de câncer de mama. Por isso, quando tudo aconteceu, foi um choque.
Nunca tive sintomas, nenhuma alteração visível na mama, e meus exames de sangue estavam normais, inclusive aqueles que apontam para possíveis tumores, como o CA 15-3. Na França, onde moro, meu ginecologista nunca solicitou um ultrassom da mama, mesmo eu sendo acompanhada por ele há quatro anos. Talvez por isso, nada tenha sido detectado antes. Foi apenas pelo autoexame, ao me tocar, que percebi algo diferente: um caroço duro.
Naquele instante, senti um frio na espinha. O medo veio, mas tentei me tranquilizar. Afinal, eu não tinha casos de câncer de mama na família, nem por parte de mãe, nem por parte de pai. Minha mãe, minha avó, bisavó, tias… Nenhuma delas tinha enfrentado isso. Mas mesmo assim, senti que precisava investigar.
Na época, estava de férias no Brasil e decidi aproveitar para fazer um check-up. Marquei uma consulta com uma ginecologista em Salvador e, sem perder tempo, realizei o ultrassom. O resultado veio com um termo desconhecido para mim: BIRADS 4. Eu não fazia ideia do que significava, até que a médica me olhou séria e disse que eu deveria procurar uma mastologista com urgência. Foi nesse momento que comecei a me preocupar de verdade.
Minhas férias viraram um pesadelo. Ao sair da consulta com a mastologista, ela me entregou uma requisição de urgência para uma biópsia, a ser feita no mesmo dia. Meu coração acelerou. A sensação era de que algo muito ruim estava para ser confirmado. Chorei muito, mesmo sem o diagnóstico final. A biópsia foi dolorosa, mesmo com anestesia. A dor física foi intensa, mas a dor emocional foi ainda pior. Eu me perguntava o tempo todo: “Por que estou passando por isso?”.
Saí da sala de biópsia aos prantos, com um aperto no peito e um medo que nunca havia sentido antes. Meu marido, que esteve ao meu lado desde o primeiro momento, tentou me acalmar. Nos agarramos à esperança de que o resultado pudesse ser benigno. Mas, por dentro, eu já sentia que algo mudaria para sempre.
O laudo levaria 15 dias para sair, e até lá, eu já estaria de volta à França. Tentei manter a fé e controlar a ansiedade, mas aquele tempo de espera foi torturante. As férias tinham acabado para mim. Eu não queria mais estar no Brasil, queria voltar para casa, encontrar paz e entender melhor tudo o que estava acontecendo.
Quando o resultado finalmente saiu, não esperei pela consulta. Abri o exame sozinha. No primeiro momento, achei que estava tudo bem, pois as três primeiras linhas falavam sobre o câncer hormonal e estavam negativas. Mas, ao ler a última linha, meu mundo desabou. O marcador Ki-67 estava elevado, confirmando que era um câncer de mama triplo negativo – um dos tipos mais agressivos.
Foi nesse instante que senti o chão desaparecer sob meus pés. O desespero tomou conta de mim. Eu soluçava como nunca antes. Não era um choro comum, era um choro da minha alma, um lamento profundo. A dor era indescritível. Minha mente se encheu de questionamentos: “Por quê comigo? Por que agora?”. Me senti perdida, sem controle, como se tivesse caído em um buraco sem fim.
Mas, mesmo em meio à dor, eu sabia que precisava reagir. Aos poucos, fui buscando força. Comecei a mudar a pergunta. Em vez de “Por que eu?”, passei a me perguntar: “Para que eu estou passando por isso? O que preciso aprender? O que devo mudar em mim?”. Essa mudança de perspectiva me ajudou a enxergar que eu não era uma vítima.
A resposta veio com o tempo e com a minha fé. Deus foi me guiando e mostrando que eu não estava sozinha. Nada acontece por acaso. Aprendi que o deserto nos forja, nos fortalece. Lembrei de Jesus, que, mesmo sendo Filho de Deus, não foi poupado da dor. Mas o mais importante: tudo passa. E, quando passa, nos tornamos pessoas diferentes, mais fortes e mais preparadas para viver.
A partir desse dia, decidi que enfrentaria essa batalha com coragem. Eu sabia que o caminho não seria fácil, mas eu também sabia que sairia transformada dessa experiência. E foi exatamente o que aconteceu.
Acompanhe os próximos episódios do meu relato…
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